O envelhecimento das plantações de cacau ao redor do mundo pode se tornar um fator de pressão sobre a oferta mundial e, consequentemente, sobre o valor da commodity para os próximos anos. O tema veio à tona no podcast da Nestlé gravado durante a ExpoCacau 2026, no episódio “Vila Opa: sustentabilidade em seis dimensões”, que reuniu Carlos Soares, diretor de Agricultura da Nestlé Brasil; Matheus Leite, supervisor Agrícola da Nestlé; e Roberto Lessa, empresário, consultor e produtor da Fazenda Vila Opa. O programa destacou a necessidade de renovação das lavouras a fim de preservar a produtividade e evitar que a perda de vigor dos cacaueiros se transforme em um problema de oferta global de cacau.
Durante o episódio, disponível no canal oficial da Nestlé Brasil no YouTube, os especialistas ressaltaram que o cacaueiro possui um ciclo de produção economicamente viável e que a produtividade tende a cair à medida que as plantas envelhecem. Segundo dados apresentados por Lessa, o ciclo do cacaueiro é de, aproximadamente, 20 anos, podendo chegar a 25 ou 30 anos em ambientes favoráveis. A renovação gradual das áreas, portanto, aparece como uma estratégia para evitar quedas abruptas na produção. A recomendação trazida pelo consultor é substituir progressivamente as plantas antigas, podendo chegar à renovação de cerca de 10% da área ao ano, mantendo a capacidade produtiva da propriedade ao longo do tempo.
O desafio ganha dimensão global quando se olha para as regiões que possuem parte considerável da produção mundial de cacau. Na Costa do Marfim, maior produtor de cacau do mundo, apresenta um indicador de senilidade de 85% em seus plantios. O envelhecimento dos cacaueiros pode reduzir o potencial produtividade e aumentar a vulnerabilidade da oferta mundial, criando um cenário de maior pressão sobre os preços, caso a produção não consiga acompanhar o crescimento da demanda. A análise apresentada também estima que seria necessário incorporar entre 1,8 milhão e 2,2 milhões de hectares de cacau de alta performance para compensar parte da perda de produção associada às áreas antigas.
Nesse contexto, a renovação dos cacauais deixa de ser apenas uma questão de produtividade da propriedade e passa a representar uma estratégia para a segurança de abastecimento da cadeia global de chocolate. Para o Brasil, o cenário reforça a importância de investimentos em genética, assistência técnica, manejo e modernização das lavouras. É nesse contexto que iniciativas como o Nestlé Cocoa Plan (NCP) apoiam produtores na adoção de boas práticas agrícolas, disseminação de conhecimento e tecnologias e fortalecimento da sustentabilidade da cadeia do cacau. Na experiência apresentada pela Fazenda Vila Opa, enquanto áreas antigas e degradadas podem produzir entre 150 e 200 quilos por hectare, quadras de alta performance chegaram a 4.450 quilos por hectare, mostrando o potencial de ganho associado à renovação e ao manejo adequado.
Os conteúdos produzidos pela Nestlé durante a ExpoCacau 2026 fazem parte do podcast “Do Cacau ao Futuro” e estão disponíveis no canal oficial da Nestlé Brasil no YouTube, ampliando o acesso dos produtores às discussões e experiências compartilhadas durante o evento.