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Classe C assume protagonismo no consumo em 2026

Além de liderar tradicionalmente a quantidade de domicílios, estrato social passa agora a ter mais renda assumindo o topo do potencial nacional

De Redação SuperHiper
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A classe C que, além de liderar tradicionalmente a quantidade de domicílios, passa agora a ter mais renda assumindo o topo do potencial de consumo nacional. Segundo o sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, Marcos Pazzini, tal feito deve-se à ocorrência de “migrações entre os estratos sociais, tanto das classes D/E para a C (positiva), quanto da B em direção a classe C (negativa).”

Desse modo, a projeção é que a camada C responda, sozinha, por cerca de 36,9% de tudo o que será desembolsado neste ano em território nacional. A conclusão é do anuário IPC Maps 2026, especializado há mais de 30 anos no cálculo de índices de potencial de consumo nacional, baseado em fontes oficiais.

A economia nacional deve movimentar R$ 8,6 trilhões ao longo deste ano, sinalizando um crescimento real de apenas 2,3% ante o movimento positivo do Produto Interno Bruto (PIB), cuja atual expectativa é de 1,8%. O crescimento considerado modesto é resultante, sobretudo, dos efeitos adversos da política monetária contracionista, segundo o estudo.

Distribuição do consumo pelas classes sociais

Com mais dinheiro no bolso, como já mencionado, a classe C, presente na metade (49,7%) das residências, representa quase R$ 2,6 trilhões (36,9%) dos gastos nacionais, liderando o panorama econômico.

Em queda, está a classe B, ocupando 20% dos domicílios e assumindo 36,3% (quase R$ 3 trilhões) das despesas; seguida pelo grupo D/E, que abrange 27% das moradias, com uma circulação de cerca de R$ 737,9 bilhões (9,4%). Enfim, a classe A que, embora caracterize apenas 3,3% das famílias, vem ampliando sua participação e desembolsará quase R$ 1,2 trilhão (17,5%) até o fim do ano.

Já na área rural, a expectativa do potencial de consumo é de R$ 537,3 bilhões (6,2% do total) ao longo de 2026. Os números levam em conta os últimos dados divulgados pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) em relação ao Critério Brasil, disponibilizados em março de 2026.

Atualmente, o Brasil possui 214,2 milhões de cidadãos. Destes, 187,5 milhões moram em áreas urbanas e respondem pelo consumo per capita de R$ 43 mil, contra R$ 20,1 mil repassados pela população rural.

O estudo também mostra que a participação das 27 capitais subirá de 27,7% para 28% no mercado consumidor, assim como as regiões metropolitanas que, de 44,6% ampliarão sua fatia para 45,2%. Em contrapartida, o interior perderá a representatividade de 55,4% para 54,8% nesse contexto.

Os 50 maiores mercados consumidores do País

O trabalho analisa, também, o desempenho dos 50 maiores mercados — formados por 21 capitais, 16 municípios no interior e 13 em regiões metropolitanas. Juntos, eles movimentarão R$ 3,3 trilhões, ou 38,7% de tudo o que será consumido em território nacional. De 2026 para cá, os principais mercados vêm mantendo suas posições, sendo, em ordem decrescente:

  • Principais capitais: São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ, Brasília/DF, Belo Horizonte/MG, Curitiba/PR, Salvador/BA e Fortaleza/CE.
  • Cidades metropolitanas e interioranas de destaque: Campinas (10º), Guarulhos (12º), Santo André (15º), Ribeirão Preto (16º), São Bernardo do Campo (18º), São José dos Campos (19º), no Estado de São Paulo; São Gonçalo (20º), no Rio de Janeiro; Uberlândia (23º), em Minas Gerais; e Joinville (24º), em Santa Catarina.

Desempenho do consumo por região

No ranking das regiões, o destaque é a recuperação sulista que, mesmo com uma pequena queda de 18,51% para 18,48% em sua representatividade, volta a ocupar o segundo lugar, perdendo apenas para o Sudeste, com 49% do consumo nacional.

Na terceira posição, está o Nordeste com sua fatia reduzida para 17,5%. Para Pazzini, essa baixa na participação de consumo pode ser explicada pelo “endividamento da população, o que acaba afetando o fluxo de turistas nacionais na região”. Na sequência, está o Centro-Oeste, com 9,1% e, por último, a Região Norte, cuja presença se mantém inferior a 6%.

Para onde vai o orçamento das famílias?

Ainda que a categoria de veículo próprio chame a atenção, movimentando R$ 939,6 bilhões e comprometendo mais de 11,6% do orçamento familiar, os itens básicos seguem na prioridade de consumo das famílias, com grande margem sobre os demais, conforme a seguir:

  • Habitação: 25,3% (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás)
  • Outras despesas:18,6% (serviços em geral, reformas, seguros etc.)
  • Alimentação e bebidas no domicílio: 10,4%
  • Medicamentos e saúde: 6,7%
  • Alimentação e bebidas fora de casa: 4,6%
  • Materiais de construção: 3,8%
  • Educação: 3,5%
  • Vestuário e calçados: 3,4%
  • Recreação, cultura e viagens: 3,3%
  • Higiene pessoal: 3,2%
  • Móveis, artigos do lar e eletroeletrônicos: 3%
  • Transportes urbanos: 1,4%
  • Artigos de limpeza: 0,5%
  • Fumo: 0,4%
  • Joias, bijuterias e armarinhos: 0,2%

Importante destacar que alimentação e bebidas no domicílio só perdem para habitação e outras despesas, muito à frente do consumo desses mesmos itens fora dos lares.

Comportamento de consumo por faixa de renda

Em relação às cestas e às faixas de renda, artigos de limpeza se destacam nas classes A e C, à frente de alimentos frescos, alimentos industrializados e bebidas alcoólicas e não alcoólicas.

Especificamente na classe C outra cesta que chama a atenção é a de eletroeletrônicos/eletrodomésticos. Já no estrato D/E, alimentos frescos têm mais representatividade.

No caso da classe B, que registra retração em todas as cestas, a menor variação (-2,5%) ocorre em bebidas com e sem álcool. E a maior (-3,3%) em alimentos frescos.

Perfil demográfico da população brasileira

Em constante crescimento, a população idosa deve chegar a 36,6 milhões em 2026. Já, beirando os 128 milhões, a faixa etária economicamente ativa, de 18 a 59 anos, representa 59,7% do total de brasileiros, sendo formada por mulheres, em sua maioria. Enquanto isso, jovens e adolescentes entre 10 e 17 anos somam 23,3 milhões, perdendo para as crianças de até 9 anos, que respondem por 26,4 milhões.

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