Embora 83% das operações bancárias no País já sejam realizadas por canais digitais — impulsionadas pelo uso de smartphones —, o dinheiro em espécie se mantém como um meio de pagamento vital para o varejo alimentar. A dependência do papel-moeda é ainda mais estratégica para os mercadinhos de bairro e estabelecimentos localizados em áreas periféricas e de menor poder aquisitivo.
Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgada em junho, entre 20% e 30% das vendas em supermercados, farmácias e postos de combustíveis ainda são pagas em dinheiro físico.
Nas periferias, esse comportamento é um pilar de inclusão financeira: dados do Data Favela mostram que essas comunidades movimentam mais de R$ 300 bilhões por ano.
Supermercados assumem o papel das agências bancárias
Essa forte presença do dinheiro físico acompanha outro fenômeno que afeta o cotidiano do varejo: a redução das agências bancárias tradicionais.
Com menos pontos de atendimento físico dos bancos nas cidades, os supermercados e postos de combustíveis passaram a atuar como pontos de acesso a serviços financeiros básicos para a população local, atraindo fluxo de clientes que circulam com papel-moeda.
O papel do cartão de crédito no orçamento do consumidor
Se por um lado o dinheiro resiste no varejo de vizinhança, por outro o cartão de crédito é amplamente utilizado como meio de pagamento, viabilizando transações à vista e parceladas sem juros, com impacto relevante na dinâmica do consumo, segundo a análise periódica da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), baseada em dados do Banco Central (BC).
A composição da carteira de cartões (dados de abril de 2026 do BC) revela uma forte predominância do uso do cartão para transações sem incidência de juros:
74,3% do saldo total da carteira é composto por compras à vista ou parceladas sem juros;
O valor movimentado pelo crédito rotativo representa 2,7% (R$ 90 bilhões) do total do endividamento das famílias no País (R$ 3,3 trilhões). Financiamento imobiliário (40,3%), crédito consignado (23%), aquisição de veículos (12,4%) e não consignado (11,9%) são as linhas que possuem maior representatividade no total das dívidas da pessoa física.
Consumidor evita juros
O comportamento do cliente no supermercado reflete o medo dos juros altos. Pesquisas do Instituto Datafolha indicam que cerca de 90% dos consumidores pagam integralmente a fatura do cartão de crédito na data de vencimento, evitando entrar no rotativo ou no parcelamento com juros.
Vale lembrar que, por força de regulação e de uma lei aprovada no Congresso, o consumidor não pode permanecer mais de 30 dias no crédito rotativo. Além disso, desde janeiro de 2024, o valor total cobrado de juros no rotativo está limitado a 100% do valor original da dívida, impedindo que o débito ultrapasse o dobro do valor inicial.
Fonte: Monitor Mercantil