Em um país como o Brasil onde, segundo a ONU, o desperdício de alimentos pode chegar a 30%, com impactos econômicos, sociais e ambientais, o Grupo Pereira lança uma iniciativa pioneira de aproveitamento e gestão de resíduos de frutas, legumes e verduras (FLV), que promete transformar o setor. A companhia identificou lacunas e atualizou processos em suas lojas, envolvendo a área de ESG e setores operacionais comercial e prevenção de perdas.
O acompanhamento desses itens ocorre desde o recebimento às unidades, a venda e processo de aproveitamento, que pode acontecer tanto por refeitórios internos ou restaurantes do grupo, como do Trudy’s e da Nobratta Steakhouse, que ficam dentro das lojas do Fort Atacadista e Supermercados Comper, quanto por organizações que recebem doações de alimentos.
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A atualização dos processos conta com dashboards de monitoramento em tempo real e protocolos padronizados para previsibilidade de perda e gestão eficiente do ciclo de vida desses produtos, permitindo ajustes mais rápidos na armazenagem, exposição e redistribuição, antes que os produtos percam qualidade. A inteligência operacional também contribui para decisões mais assertivas sobre volumes, sazonalidade e comportamento de consumo, reduzindo perdas financeiras e impactos ambientais. O Grupo já conta com uma redução de 20% no desperdício de FLV nas lojas que receberam a solução, e uma redução de 50% nos custos dos refeitórios.
O projeto já registrou 371 toneladas de alimentos que deixaram de ser descartadas, sendo aproveitadas pelos refeitórios das unidades, por um restaurante do Grupo ou destinados a projetos sociais, como o Mesa Brasil e Sobrou.app. Tendo os resultados como parâmetro, a economia prevista apenas na bandeira Forte do Grupo Pereira, tanto com descarte de resíduos, quanto com a alimentação dos colaboradores, chega a R$ 5,6 milhões em 2026, representando 8.357 toneladas de FLV.
“O modelo é completo, pois endereça uma das principais dores sociais do Brasil, ao mesmo tempo que gera benefícios econômicos para quem aplica e ambientais para toda a sociedade”, comenta Fernanda Pereira, executiva responsável pela iniciativa no Grupo Pereira. “Fico muito honrada em ajudar a endereçar essa que é, e sempre foi, uma profunda preocupação da minha família”, completa.
Ficha de identificação
Um dos destaques do modelo é o Guia Visual de Aproveitamento, uma ficha simplificada de identificação de aspectos sensoriais dos produtos FLV, que ajuda os operadores de loja na identificação de processos de amadurecimento e danos comuns, entendendo se eles poderão ser vendidos ou se serão encaminhados para o aproveitamento ou doação, ao invés de direcioná-los ao descarte. Desenvolvida pelo GP especialmente para o projeto, o guia foi inspirado em fichas técnicas de controle de qualidade tradicionalmente usadas no varejo supermercadista. A diferença é que a ficha tradicional aponta apenas as características que devem ser consideradas no recebimento, venda e descarte. O guia de aproveitamento, no entanto, traz novos passos entre um e outro, como quando direcionar o produto aos refeitórios e restaurantes da rede, incluindo link para receitas de aproveitamento para facilitar o aproveitamento pelas equipes das cozinhas internas.
Como funciona na prática
Graças ao processo padronizado, que agiliza triagem ainda na área de venda, as mercadorias que não são consideradas aptas para venda, mas que ainda estão próprias para o consumo, seguem para as “Lojinhas de Aproveitamento FLV” do Grupo Pereira. São nelas que as nutricionistas buscam frutas, legumes e verduras para o preparo da refeição dos mais de 24 mil colaboradores da companhia.
Os refeitórios são os grandes beneficiados, à medida que passam a receber alimentos que normalmente não estariam liberados para compra na loja, devido ao seu custo mais elevado. Isso envolve FLVs premium como a pitaya, pera asiática, e alho-póro e, que de forma geral, garantem mais variedade e sabor no prato do colaborador. Frutas, legumes e verduras excedentes às necessidades diárias de produção das unidades são então encaminhadas para a doação, sendo 155 toneladas de alimentos enviados para instituições parceiras como o Mesa Brasil e Sobrou.app neste ano.
Por fim, somente os produtos de FLV reconhecidos como impróprios para consumo durante a fase da triagem devem ser direcionados para o descarte, direcionando-os para compostagem sempre que possível. A economia no descarte nas unidades participantes do projeto de aproveitamento já começa a ficar evidente: Na regional de Florianópolis, por exemplo, que conta com 11 lojas da bandeira Fort e com Lojinhas de aproveitamento presente em todas as lojas, a economia no descarte em relação ao mesmo período no ano passado foi de 13%.
Expansão e escalabilidade
O projeto de aproveitamento e gestão de resíduos de FLV já alcançou cerca de 40 lojas do grupo, com previsão de implementação em todas as 113 unidades das bandeiras Fort e Comper até o final deste ano. Além disso, toda nova loja do Grupo Pereira a ser inaugurada já vai iniciar suas atividades com o modelo implementado.
A possibilidade de escalabilidade para além das lojas do Grupo Pereira está entre os tópicos que mais anima a responsável pelo projeto. “Estamos felizes em poder compartilhar com nossos pares o conhecimento desenvolvido e o modelo das nossas fichas de aproveitamento de FLV para que todos possam transformar seus processos em busca do objetivo comum: a redução do desperdício de alimentos no varejo alimentar”, ressalta Fernanda. Entre as iniciativas previstas estão a amplificação em eventos e por meio de associações.