Por Renato Müller
Bares e restaurantes espanhóis elevaram o tom contra os supermercados, que nos últimos anos têm ocupado um espaço cada vez maior nas ocasiões de consumo fora do lar, graças ao aumento da oferta de alimentos preparados e prontos para comer.
A Hostelería de España, associação que representa cerca de 300 mil bares, restaurantes e cafeterias no país, reclamou, no encerramento da assembleia anual da entidade, em Madri, que as grandes redes de supermercados não estão competindo sob as mesmas condições. “Agora temos postos de combustíveis, lojas, hipermercados e supermercados que querem atuar como bares e restaurantes. Isso é concorrência desleal”, disse José Luis Álvarez Almeida, presidente da entidade.
A principal preocupação da associação é com movimentos de empresas como a Mercadona, líder espanhola em alimentos prontos nos supermercados, com um faturamento de 700 milhões de euros em food service. Somando a esse valor o negócio de comida preparada, a Mercadona movimenta cerca de 3 bilhões de euros em Portugal e Espanha, ou quase 7,5% de seu faturamento total. Uma competição direta com um espaço tradicional dos restaurantes, especialmente durante a semana.
Os supermercados vêm ganhando espaço no food service a partir da combinação de preços competitivos, capilaridade e conveniência para atrair consumidores que buscam rapidez e opções percebidas como mais saudáveis.
Essa não é a primeira queixa da Hostelería de España contra o avanço dos supermercados no food service. No ano passado, o secretário geral da entidade, Emilio Gallego, reclamou que supermercados e lojas de conveniência têm menos exigências trabalhistas e regulatórias que os restaurantes tradicionais, ainda que compitam pela mesma ocasião de consumo.