Por Renato Müller
Os consumidores estão fazendo escolhas específicas de produtos com base em sua funcionalidade, atributos nutricionais e benefícios. A explosão do uso das “canetas emagrecedoras” tem reconfigurado a cesta de compras dos consumidores e faz com que a ideia de bem-estar deixe de estar presente somente em uma seção de “alimentação saudável”. O wellness se torna central para a proposta dos supermercados.
Esse é um dos principais insights do relatório “The State of Grocery North America 2026”, desenvolvido pela consultoria McKinsey. Para a empresa, o diálogo com o consumidor dos Estados Unidos passa a ser dominado pelos aspectos funcionais dos alimentos. O estudo mostra que quase metade dos consumidores prioriza benefícios funcionais específicos, como alto teor de proteína ou baixo teor de açúcar, em detrimento de alegações genéricas de “produto saudável”.
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Em grande parte, esse é um movimento impulsionado pelo uso de medicamentos agonistas do GLP-1 (as “canetas emagrecedoras”): 16% dos consumidores dos EUA atualmente usam esses medicamentos e mais 7% usaram no último ano. A consequência é uma redução de 46% na compra de salgadinhos e doces, enquanto 39% diminuíram o consumo de refrigerantes e outras bebidas com alto teor de açúcar. Ao mesmo tempo, 25% aumentaram as compras de alimentos frescos, índice igual ao dos que passaram a comprar mais produtos ricos em proteínas. Além disso, 38% das famílias passaram a priorizar porções menores.
Em resposta, o varejo já está reconfigurando seus espaços físicos: quase 90% dos supermercadistas analisados pela McKinsey planejam aumentar o espaço em loja dedicado a produtos ricos em proteínas, com a maioria estimando um crescimento de mais de 10% na área dessas categorias nos próximos dois a três anos.