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ABRAS’26 food retail future é carbono neutro e zero aterro

Evento contabilizou 1,741 tonelada de CO₂ equivalente, concentrada na logística e na destinação de resíduos; a compensação foi feita com dois créditos de carbono

De Redação SuperHiper
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A 60ª edição da ABRAS’26 food retail future, realizada entre 19 e 23 de setembro, em Campinas (SP), teve as emissões de gases de efeito estufa (GEE) mensuradas e neutralizadas como parte de um compromisso com a sustentabilidade. Por meio da parceria com a Planton, foi conduzido o inventário das emissões geradas, considerando as fontes de emissão de GEE relevantes. No total, foram contabilizadas 1,741 tonelada de CO₂ equivalente (tCO₂e). Para compensar as emissões identificadas, foram adquiridos dois créditos de carbono reconhecidos internacionalmente.

Além disso, o evento terminou sem enviar um único quilo de resíduo para aterro sanitário. Os 5.740 kg coletados durante o evento foram separados em três fluxos (recicláveis, rejeito e orgânicos), e cada um seguiu para uma destinação que transforma o material em insumo.

Três fluxos, nenhum quilo para o aterro

O resíduo foi recolhido em 15 caçambas ao longo dos cinco dias de evento, somando 96 m³. O Pavilhão do Royal Palm Hall, onde aconteceram as palestras, respondeu por 75% do total, com 4.310 kg distribuídos em 14 caçambas de 5 m³, enquanto o Royal Palm Resort gerou os outros 25%, ou 1.430 kg, reunidos em uma única caçamba de 26 m³.

Após a triagem, a maior parte do material (60%) era reciclável e seguiu para reciclagem. O rejeito, que não pode ser reaproveitado como matéria-prima, foi enviado para coprocessamento em fornos de cimento, onde substitui combustíveis fósseis. Já a fração orgânica foi destinada à compostagem.

97% menos emissões do que o aterro

O inventário seguiu a metodologia do GHG Protocol, padrão internacional que classifica as emissões em três escopos. A operação de resíduos se enquadra no escopo 3, que reúne as emissões indiretas da cadeia de valor do evento: no caso, o transporte até as unidades de destinação e o tratamento de cada fluxo.

Ao todo, a operação emitiu 1,741 tCO₂e. Se todo o material tivesse seguido para aterro sanitário, as emissões chegariam a 9,360 tCO₂e. A destinação adotada evitou, portanto, 9,04 tCO₂e, uma redução de 97%.

O detalhamento mostra que o tratamento dos resíduos já emite pouco. O peso maior está na logística: foram 15 viagens de 108 km (ida e volta), uma por caçamba, em caminhão rígido a diesel acima de 17 toneladas. O percurso somou 1.620 km e consumiu cerca de 625 litros de diesel, com emissão de 0,095 tCO₂e por viagem.

Compensação via energia renovável

Para neutralizar as 1,741 tCO₂e, foram adquiridos dois créditos de carbono reconhecidos internacionalmente; cada crédito corresponde a uma tonelada de CO₂ equivalente evitada. Os créditos estão registrados na Verra, uma das principais certificadoras do mercado voluntário de carbono.

Os créditos vêm do projeto de energia renovável de Foz do Chapecó, usina hidrelétrica instalada no Rio Uruguai, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Com 855 MW de potência instalada, o empreendimento tem capacidade equivalente a 28% do consumo de energia catarinense e evita cerca de 747,7 mil tCO₂e por ano, ao reduzir a dependência de fontes térmicas e fósseis.

Com a compensação concluída, a Planton emitiu o certificado de neutralização da ABRAS’26 food retail future e concedeu ao evento o selo Carbon Neutral. A empresa é certificada como Empresa B, é parceira do Pacto Global da ONU e tem o próprio inventário de emissões registrado com selo ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol, da FGV.

O que pode melhorar na próxima edição

Os relatórios já apontam onde reduzir na próxima edição. Como o tratamento dos resíduos emite pouco, o principal ganho está na logística, responsável por 82% das emissões. Menos viagens ou unidades de destinação mais próximas reduzem o total de forma direta.

Outro ponto é o aproveitamento das caçambas. O resíduo do evento é leve, e as caçambas do Pavilhão rodaram com média de 62 kg/m³, ou seja, o caminhão fica limitado pelo volume, não pelo peso. Compactar o material ou usar caçambas maiores permitiria levar mais carga por viagem.

O calendário de coletas também pesa. O desmonte, entre 21 e 23 de setembro, concentrou 80% do volume do evento, com 4.590 kg retirados em três dias; só no dia 21, foram cinco caçambas e 2.610 kg. Dimensionar a frota para esse pico evita viagens com caçamba incompleta.

Quem é a Musa

A Musa é a empresa de gestão de resíduos responsável pela operação na ABRAS’26 food retail future. Coube a ela coletar, triar e destinar todo o material gerado no complexo do Royal Palm Resort, local onde o evento foi realizado, além de consolidar os resultados em relatório próprio, com dados de pesos, volumes e datas de cada coleta.

O modelo de trabalho da empresa parte da ideia de que resíduo é insumo: cada fluxo separado na triagem segue para uma destinação que o devolve à cadeia produtiva, seja como matéria-prima reciclada, combustível para a indústria cimenteira ou adubo. A filosofia está resumida no lema da empresa, inspirado em Lavoisier: “Nada se perde, tudo se transforma”.

A proposta da Musa é simplificar o gerenciamento de resíduos com um sistema que, segundo a empresa, é econômico e garante o reaproveitamento de todo o material. Com apoio de tecnologia, a plataforma conecta geradores, transportadores, receptores e indústria em uma rede integrada de gestão. Ao chegarem ao destino, os resíduos são separados e encaminhados para reciclagem ou reutilização, e as emissões geradas ao longo do processo são compensadas com créditos de carbono.

De acordo com a Musa, o modelo também reduz os custos de coleta, transporte e disposição de resíduos. Assim, as empresas cumprem suas obrigações ambientais, diminuem seu impacto no meio ambiente e ainda geram receita com a venda dos materiais.

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