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ABRAS Mulheres 2026 debate liderança feminina, saúde social e futuro do varejo alimentar

O encontro reuniu executivas e especialistas para debater o papel delas na transformação do setor supermercadista

De Redação SuperHiper
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Por Giseli Cabrini

Como construir uma trajetória profissional de sucesso sem abrir mão da saúde, do equilíbrio e da própria essência? Essas questões imprimiram o tom do ABRAS Mulheres, encontro realizado nesta terça-feira (22), durante a ABRAS’26 food retail future, no Royal Palm Plaza Resort, em Campinas (SP).

Conduzido pela primeira-dama da ABRAS, Virgínia Galassi, o evento reuniu mulheres que atuam em diferentes posições do varejo alimentar e especialistas em liderança, saúde social e gestão. A programação combinou palestras, painel, networking e workshop em uma agenda dedicada à liderança feminina, propósito, desenvolvimento profissional e futuro das relações de trabalho.

Na abertura, Virgínia recordou a trajetória do evento que começou “pequeno” há seis anos a fim de “furar a bolha de predominância masculina no setor supermercadista” e que ao longo do tempo tem crescido de forma contínua. “A proposta de hoje é mostrar como alcançar a plenitude no nosso dia a dia passando por saúde, bem-estar, liderança, propósito e identidade.”

A primeira-dama da ABRAS também chamou a atenção para a importância de outra frente da entidade voltada a reforçar o papel feminino no varejo alimentar. Trata-se do Prêmio ABRAS | Dove “Mulheres que Inspiram no Varejo”, que está com inscrições abertas. A iniciativa reconhece trajetórias femininas que geram impacto no setor supermercadista e reforça a importância da liderança e da equidade.

Podem participar mulheres com mais de 18 anos que atuem em empresas do varejo associadas à ABRAS. As inscrições e indicações são feitas pelo formulário disponível site oficial do prêmio, no qual é necessário apresentar a trajetória da candidata, destacando os desafios enfrentados, os resultados alcançados e o impacto de sua atuação no negócio.

O que é o ABRAS Mulheres?

O ABRAS Mulheres integra a programação da ABRAS’26 voltada à conexão, ao aprendizado e à troca de experiências entre mulheres que atuam no varejo alimentar e em áreas relacionadas ao setor.

Nesta edição, a programação teve como eixo central a ideia de “plenitude”, propondo uma reflexão sobre como viver e liderar de maneira alinhada a valores pessoais, propósito e impacto gerado na sociedade.

A agenda teve apresentações da especialista em saúde social, Suzana Cunha e da CEO da GoldKo, Chantal Goldfinger.

Saúde social e futuro das relações

Em sua apresentação, intitulada “O que sustenta o futuro das relações?”, Suzana trouxe uma abordagem baseada em ciência e experiência prática para discutir temas como pertencimento, liderança, relações de trabalho, propósito e bem-estar.

A especialista propôs uma reflexão sobre os fatores que sustentam relações profissionais saudáveis e sobre a possibilidade de conciliar alta performance e bem-estar.

“Para sermos líderes, temos que ser fortes, mas todos estamos esgotados. Ninguém transforma o que não sabe nomear. Estamos na pandemia da solidão. Estamos ultraconectados digitalmente, mas desconectados humanamente. Outro ponto fundamental é a confiança. Sem ela, os clientes não são recorrentes porque não acreditam na marca”, destacou Suzana. Para ela, sem confiança, não há pertencimento, e sem pertencimento não há performance sustentável.

Durante sua palestra, ela apresentou os quatro pilares da saúde social no trabalho: autoconsciência (identidade e propósito), curiosidade (liderança), reconexão (saúde e bem-estar) e inteireza (plenitude). De acordo com Suzana, investir nessas frentes traz aumento de performance, inovação e lucratividade, além de reduzir turnover, estresse e absenteísmo por doença.

Ela destacou que todos os empregos sofrerão o impacto da inteligência artificial (IA). “O grande diferencial competitivo em um mundo dominado por robôs é o resgate da nossa capacidade humana. Que marca vocês querem deixar no mundo?” Foi com essa provocação que Suzana encerrou sua apresentação.

A discussão ganha relevância em um setor como o varejo alimentar, que depende diretamente da gestão de pessoas, da construção de equipes e da qualidade das relações dentro das organizações.

Legado familiar, presença digital e prazer sem culpa

Chantal Goldfinger compartilhou a trajetória da GoldKo — marca brasileira de chocolates sem adição de açúcares — e aprendizados sobre negócios. Bisneta dos fundadores da tradicional Kopenhagen, ela apresentou aspectos de sua trajetória pessoal e empresarial. Sucesso nas redes sociais, ela também compartilhou insights relacionados a branding, gestão e escala.

Logo no início de sua fala, ela destacou a importância de encontrar sua própria voz, romper com rótulos e buscar espaços novos. Ou seja, poder ser quem você é.

No encontro, sua história foi utilizada como ponto de partida para uma conversa sobre os desafios da trajetória feminina, especialmente em contextos de empresas familiares, empreendedorismo e construção de identidade profissional.

De acordo com ela, a GoldKo nasceu com a missão de transformar a indulgência em um momento mais consciente, sem abrir mão de sabor, textura ou experiência, unindo lojas e cafeterias que combinam inovação, prazer e bem-estar. “Ninguém quer comer chocolate com gosto de remédio.”

A palestrante partiu do problema enfrentado pela marca: o preconceito com chocolate sem açúcar e um mercado fitness sem prazer. A resposta encontrada foi posicionar o produto como “prazer sem culpa”, transformando a loja no principal ponto de experiência da marca, um movimento de rebranding. Para Chantal, wellness não é abrir mão do prazer, e sim tirar a culpa dele. “Wellness é assumir escolhas boas para nós, mas que nos trazem satisfação.”

Ela também defendeu que produto bom não basta: a marca precisa ganhar um rosto ou, nas palavras dela, uma “bestie”. Ela descreveu a mudança no relacionamento com o público: a audiência que antes só assistia passou a construir com a marca, transformando comentários em pesquisa e lançamentos em cocriação, num modelo de social selling em que a comunidade vira a própria marca. E, para isso, usa como pilares muito storytelling pessoal e branding. “A audiência te assiste. A comunidade constrói com você.”

Ela deixou uma reflexão sobre liderança feminina: não se trata de imitar o modelo antigo, “de salto”, mas de criar o próprio caminho. Segundo ela, quando a líder assume esse lugar, todo o time ganha permissão para fazer o mesmo.

Participações especiais

As apresentações de Suzana e Chantal tiveram surpresas especiais. A primeira delas foi a presença do presidente da ABRAS, João Galassi. Durante a sua fala, ele abordou a importância da liderança feminina exercida por sua mãe, Angelina Galassi, que foi “pai e mãe”. Ele identifica esse mesmo papel na esposa e primeira-dama da ABRAS, Virgínia. Galassi também destacou a ampliação da presença das mulheres na diretoria da ABRAS.

Em seguida, a supermercadista e influencer, Karol Babadeira, também subiu ao palco para dar interagir com o público. “Faço parte da terceira geração do setor supermercadista. Eu praticamente nasci embaixo do caixa. Comecei aos 13 anos no negócio da família e já são duas décadas trabalhando no setor. Hoje não estou mais na operação porque a internet me abriu muitas portas: tenho quase 3 milhões de seguidores nas redes. Sabemos que grande parte do varejo é familiar, um ambiente com forte tradição masculina. Se eu não tivesse coragem, eu não estaria onde estou hoje.”

Liderança feminina no varejo: resultados, propósito e equilíbrio

Na sequência, aconteceu o Painel Plenitude – “Viver em alinhamento com quem você é, e com o impacto que você gera no mundo” com mediação de Virgínia Galassi; da diretora-geral do Super Carlão Supermercados, supervisora e conselheira da Apas; Lívia Azevedo; da diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da Apas, Débora Ortega; e da diretora de Marketing do Hiper Ideal, Amanda Vasconcelos.

A conversa conectou diferentes experiências profissionais para discutir liderança feminina, desenvolvimento, propósito, responsabilidade social e equilíbrio.

A proposta foi refletir sobre a jornada das mulheres que constroem seu espaço nas empresas e, ao mesmo tempo, contribuem para transformar o varejo alimentar.

Ao reunir especialistas e executivas do setor, o ABRAS Mulheres colocou em discussão uma questão que ultrapassa o ambiente corporativo: como construir modelos de liderança capazes de gerar resultados e, simultaneamente, preservar saúde, relações e propósito?

A participação das executivas do varejo ampliou o debate para situações concretas do dia a dia empresarial. Liderança e desenvolvimento profissional foram abordados em conjunto com temas como responsabilidade social, sustentabilidade e impacto na sociedade.

À frente também da Associação Baiana de Supermercados (Abase), Amanda destacou que liderança é algo que se constrói e que mulheres têm características distintas em relação a isso.
Lívia compartilhou a trajetória pessoal e o apoio fundamental que recebeu do pai quando passou a atuar na rede da família ao dissociar a marca da figura do fundador, abrindo espaço para a gestão da filha de forma independente.

Débora ressaltou que plenitude é enxergar o outro, se conectar a ele e principalmente identificar pontos de melhoria.

Durante a condução dos trabalhos, Virgínia também compartilhou questões da própria trajetória pessoal e profissional relacionadas à liderança e à importância de alcançar a plenitude em ambas as frentes de atuação.

As diferentes perspectivas apresentadas durante o painel reforçaram a importância de reconhecer que as trajetórias profissionais são construídas por meio de escolhas, experiências,
desafios e relações.

Programação do ABRAS Mulheres 2026

A agenda do encontro começou com um café da manhã especial no Hotel Royal Palm Plaza Resort para as participantes. Após as palestras e o Painel Plenitude, foi realizado o almoço seguido pelo Workshop Ateliê Vila das Ideias, com Sandra Cavalheiro. O encerramento foi marcado pela entrega de um brinde especial a cada uma das convidadas.

Mulheres e o futuro do varejo alimentar

Ao longo do encontro, o ABRAS Mulheres mostrou que debater o futuro do varejo alimentar também significa discutir as pessoas, as relações e os modelos de liderança que estarão à frente desse futuro.

Ao aproximar especialistas e mulheres que atuam diretamente no setor, a iniciativa criou espaço para compartilhar experiências sobre carreira, gestão, propósito, saúde social e impacto.
A programação fez parte da ABRAS’26 food retail future e reforçou a presença das mulheres nas discussões sobre os caminhos do varejo alimentar brasileiro.

Fique por dentro de todos os destaques da ABRAS’26 food retail future acompanhando os canais de comunicação da SuperHiper. A cobertura completa do evento estará na edição de outubro da revista.

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